Um caderno para olhar o mundo com atenção.

Sobre

Sou formada em História pela USP, mas, na prática, trabalhei principalmente com educação infantil e alfabetização — e acabei me encantando por esse mundo. Nas escolas em que trabalhei, precisava seguir metodologias e currículos bastante definidos, mas foi justamente na prática que comecei a perceber o que me atraía e o que me incomodava. Aos poucos, fui formando minhas próprias opiniões sobre o que fazia sentido para a infância e passei muito tempo imaginando o que faria diferente se tivesse mais abertura.

Talvez parte disso venha também da minha própria infância. Cresci frequentando um sítio à beira de uma represa. Aprendi ponto-cruz com minha avó, fiz trilhas com meu avô e viajei muito pelos livros — meu vício desde criança.

Céu azul e copas de árvores vistos de baixo

Quando minha bebê nasceu, comecei imediatamente a imaginar as coisas que faríamos juntas: os passeios de caiaque, as trilhas, os livros que leríamos, os desenhos das nossas descobertas. Pensei também em tudo que gostaria de ensiná-la a fazer com as mãos — principalmente ponto-cruz.

Comecei a pensar também em tudo que gostaria de apresentar a ela. E, nesse “tudo”, apareceram várias lacunas minhas. Eu queria ensiná-la a reconhecer os pássaros que vejo no sítio, a identificar as constelações no céu, a distinguir os tipos de nuvem — só que eu mesma não dominava esses conhecimentos.

E percebi que isso não era um problema. Pelo contrário: minha filha se tornou um grande estímulo para eu aprender aquilo que ainda não sabia. Não preciso conhecer de antemão o nome de todos os pássaros para começar a procurá-los com ela. Podemos descobrir juntas.

Quando comecei a procurar materiais para esse futuro, porém, raramente encontrava exatamente o que imaginava. Faltavam imagens reais, faltavam detalhes, faltava brasilidade, faltava beleza. Sobrava infantilização, descontextualização, imagens erradas e atividades que, para mim, muitas vezes pareciam não levar a lugar nenhum.

Então comecei a pensar no que eu mesma faria. Vieram os primeiros materiais, atividades, ideias e protótipos — e logo surgiu outro problema: eu precisava de um lugar para guardar e organizar tudo isso. Meu marido sugeriu que eu criasse um site.

E aí pensei: por que não compartilhar?

Talvez existam outras pessoas que pensem parecido. Talvez pessoas que pensem diferente, mas gostem de experimentar coisas novas. E talvez a Toca possa ser útil também para outros adultos que querem continuar aprendendo, aumentando o próprio repertório e descobrindo o mundo junto com seus filhos.

Acho que foi aí que a Toca começou de verdade.